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Bancada do Nordeste. Ministro se irrita com cobranças de deputados nordestinos, e pede apoio da bancada para viabilizar reivindicações junto ao governo. Para a maioria dos parlamentares nordestinos ações emergenciais anunciadas pelo governo não resolvem problemas da seca na região
30/05/2012 - 18:45h - Gil Maranhão e GAJ
(Brasília-DF, 30/05/2012) O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, chegou a mostrar momento de irritação com inúmeras cobranças feitas pelos parlamentares nordestinos nesta terça-feira ,30, durante a reunião da bancada realizada na sede do próprio ministério.
Para a maioria dos deputados, as medidas emergenciais anunciadas pela presidente Dilma para enfrentamento da seca na região não resolvem. São paliativas.

O deputado Heleno Silva (PTC-SE), por exemplo, chegou a afirmar que questão da construção de cisternas no semiárido “não pode ser usadas como solução para o problema da estiagem no Nordeste”, e interrogou: “quem não se não lembra de 1 milhão de cisterna que a ASA patrocinou junto coma Febraban? É uma ação paliativa”.

COMPARAÇÃO NORDESTE E SUL - O deputado Júlio César (PSD-PI) chegou a fazer comparações entre ações do governo federal no Nordeste, com relação ao Sul e Sudeste, informando que para o pequeno produtor do Sul, o governo Dilma determinou um número maior de toneladas de milho que para os produtores nordestinos. “A seca mal começou a sinalizar por lá (Sul), não tem um mês que deixou de chover, e o governo já estão atendendo”, reclamou Julio César ao ministro.

Ele lembrou que nas enchentes de Santa Catarina, em 2009, “chegou a se registrar 1 milhão 600 mil vitimas. Nesta estiagem do Nordeste tem mais de 4 milhões. Só que quando o pequeno produtor de lá quanto perde sua safra com cheia, logo depois que as águas baixam ele pode plantar, enquanto que na seca é diferente, quando perde, perde por 9 meses. E lá (Santa Catarina) o auxílio-reação (auxílio-emergência) na época era um salário minimo por mês, e aqui (Nordeste) é de R$ 400 por cinco meses. Uma coisa é o tratamento muito diferenciado”.

OUTRAS QUEIXAS - Outros deputados se manifestaram fazendo queixas, críticas e reivindicações como a renegociação imediata dos pequenos produtores e das execuções em curso, liberação dos recursos das emendas dos parlamentares do Nordeste (tanto as individuais, como as de bancadas), maior quantidade de grãos (milho) aos agricultores, mais recursos para enfrentamento da seca.

As responder as colocações dos parlamentares nordestinos, o ministro Fernando Bezerra chegou a revelar irritação, elevando o tom da voz em determinado momento, principalmente com relação à liberação de mais recursos.

“Acho que nas observações feitas por diversos parlamentares, a maior é a questão da suficiência ou insuficiência dos recursos que foram anunciados para enfrentamento da estiagem”, disse Bezerra, que pediu a Bancada do Nordeste para reforçar esse pleito junto ao governo. “Este é um esforçou que a gente tem feito e precisa fazer, mas tem que ter o apoio da Bancada do Nordeste, até porque a gente repete e não consegue ser ouvido”.

LIBERAÇÃO DE MILHO - Quanto a liberação de grãos, Bezerra disse que “quando a presidente Dilma falou 400 mil toneladas de milho não significa dizer que só isso. É isso e quanto mais forem necessário. O problema é que tem que ser feita uma estimativa para saber como deslocar o milho e como vai chegar. Tem todo uma operação de logística”, declarou.

O ministro mostrou preocupado com o que ele chamou de possível desviou de verba. “A gente precisa de subsídios das associações de produtores e das federações de trabalhadores rurais para chegar a um número preciso, até porque a gente sabe que nessa operação de comercialização do milho tem que ter muito cuidado porque pode ter desvio e gente tem que coibir essa questão de má utilização dos recursos públicos”.

Com relação ao valor dos recursos anunciados pelo governo para o crédito agrícola – R$ 1 milhão - , Bezerra disse que “se precisa mais, vamos lutar por mais. Mas temos que saber se esses recursos serão de fatos demandados e absorvidos”.

Com relação ás reivindicações da renegociação das dívidas rurais ele disse que concorda. “Estou solidário. Vou lutar para que na MP 565 isso fique mais claro e para buscarmos uma solução viável”, disse Bezerra, completando:“Estamos aceitamos sugestões. Mas é importante que as sugestões sejam objetivas. Não basta apenas adjetivar. Tem que trazer o substantivo para que a gente possa trabalharmos de forma mais correta e mais adequada.

MAIS RECURSOS - Irritado sobre cobranças de mais recursos pelos deputados do Nordeste, o ministro declarou: “É importante que a gente amplie a nossa capacidade de execução. Muito se fala em poucos dinheiros. Mas o fato concreto é que R$ metade 17 bilhões que me referi são em parceria com os governos estaduais. As obras precisam ser executadas e todos os estados e municípios têm sérias dificuldades na sua capacidade de execução. É importante que a gente não se deixe levar apenas por mais dinheiro, mas temos que provar que estamos gastando mais, aplicando melhor os recursos e identificando novos projetos e novas áreas”.

Sobre as críticas de que as cisternas não resolvem o problema da seca, Bezerra acentuou: “Não existe uma solução única para esses problemas. E nós não podemos excluir nenhuma solução. Nós precisamos construir cisternas, e o governo não trabalha só com cisternas. A solução para universalizar passa pela cisterna. Quem conhece o semiárido sabe que é importante chegar com cisterna”.

O ministro, disse, ainda, que “estamos querendo acabar com conceito emergencial com carro pipa – não pode ser visto como uma coisa emergencial, mas uma coisa complementar a um direito do cidadão que é o acesso da água”. E revelou que o Ministério está desenvolvendo um projeto-piloto com Sergipe com uma empresa de água local.

“Vamos universalizar as cisternas, fazer tantas adutoras quanto sejam necessárias, fazer aguadas, e até dezembro atendendo a toda propriedade daquele estado d, depois levar para Alagoas. Se for um sucesso a presidente quer ampliar para todos os semiárido do Nordeste”. Frisou.

E concluiu, cobrando novamente o apoio da Bancada do Nordeste. “É importante que a bancada nos ajude, pois estamos travando uma luta política. Querem caricaturar na imprensa que as politicas que forem desenvolvidas estão sendo questionadas. Temos que fazer com clareza as repercussões sociais e econômicas de que esta que foi a mais prolongada estiagem dos últimos 50 anos não terá a mesma repercussão como as outras. As pessoas não estão passando fome porque existe hoje uma rede de proteção social que foi implanta e se for preciso o governo Dilma vai ampliar”, acrescentou Bezerra.

(Por Gil Maranhão, para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)

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